1. A maioria das mulheres em situação de violência doméstica e sexual pertence a famílias com as mesmas características sócio-econômicas e culturais da população que vive na região: são pobres (o nível de renda das famílias apresentou uma pequena porém significativa elevação entre 2003 e 2005), têm baixo nível de escolaridade, são dependentes economicamente e amargam desemprego ou sobrevivem de empregos precários ou do trabalho autônomo (mesma condição da maioria dos companheiros), se localizam na faixa entre 26 e 55 anos de idade, têm entre 1 e 4 filhos, têm religião (66,42% se declararam católicas e 27,78% evangélicas) e as famílias convivem com álcool ou algum outro tipo de droga. Os agressores em aproximadamente 60% dos casos são os próprios maridos ou companheiros, sendo significativas as agressões emocionais (31,62%), físicas (21,63%) e por abandono material (9,24%); 11,03% denunciaram que vinham sofrendo ameaça de morte. Uma prova da gravidade das situações denunciadas é que em 21,90% dos casos haviam sido lavrados boletins de ocorrências policiais e em 6,03% já havia processos judiciais em andamento.
2. Estamos aperfeiçoando os mecanismos de registro dos atendimentos prestados, porque eles poderão ser muito úteis tanto para a melhoria da qualidade do trabalho como para poder dialogar com os atuais e futuros parceiros, com o objetivo de atuar na prevenção (não há nada na região voltado para os agressores, por exemplo) e para ampliar e dar mais agilidade e qualidade no atendimento.
3. Ficou absolutamente claro que, apesar da Casa Sofia ser a única referência regional para atender os casos que são da sua alçada, o seu alcance ainda é muito local (ao longo dos três anos estudados mais de 50% das mulheres atendidas foram e continuam sendo moradoras do Jardim Ângela) o que deixa claro que há muitas mulheres sem atendimento (demanda reprimida) nos demais bairros e sub-regiões. Este problema também vem sendo debatido com os parceiros e com as autoridades municipais.
4. Por fim, uma boa notícia: apesar de todos os problemas e da ainda forte presença da violência – a mesma que tem estado presente na periferia das cidades da Grande São Paulo – o Jardim Ângela hoje se encontra muito longe da situação constatada pela ONU em 1998.