A nossa história inicia-se em um momento em que o Brasil passava por
mudanças sociais, principalmente na vida das mulheres. Surge nesse
momento o movimento contra a carestia. Muitas mulheres do nosso bairro,
entre elas: Ana Maria, Edna, Maristela, Efigênia, Analice, Madalena,
Lourdes, Cida, Nilma, Dita e Claudia, que já eram engajadas nas lutas
em prol de melhorias para a comunidade.
Essas
mulheres fizeram um levantamento, por meio de uma pesquisa nas ruas e
visitas às famílias dos moradores do bairro, das prioridades e
necessidades indicadas pelos entrevistados, onde mencionaram a falta de
postos de saúde, saneamento básico, asfaltamento das ruas, telefones
públicos e uma “creche” para acolher a grande demanda de crianças sem
atendimento na região, dentre outras reivindicações.
A
comunidade se organizou e determinou o que era mais urgente, optando
pelo atendimento de seus filhos em uma creche. Definida a prioridade,
foram buscar auxílio junto aos padres Jaime e Eduardo responsáveis pela
Paróquia Santos Mártires, igreja local, onde vislumbraram a
possibilidade de usarem o espaço da mesma para atender a estas
crianças. Os padres, que já eram pessoas comprometidas com o trabalho
social, vendo na proposta mais uma forma de colocar a igreja a serviço
do povo, aceitaram de prontidão a indicação e cederam então, além do
espaço da igreja, um armário, um fogão e uma geladeira que era tudo que
podiam doar naquele momento, pois a igreja não tinha condições
financeiras para arcar com os custos de uma creche.
O
atendimento às crianças iniciou efetivamente no dia 13/05/1989 com um
total de vinte crianças recebendo o nome de Santa Ana por ser a
padroeira da igreja. Os obstáculos que tinham pela frente agora eram
como alimentar, cuidar e educar estes pequeninos com o mínimo de
estrutura.
O grupo não se abateu diante das dificuldades que
apareceram em seu caminho e mesmo trabalhando voluntariamente, cada uma
que podia ainda fornecia alguns utensílios, materiais e alimentos.
Muitas vezes tiveram que arrecadar donativos junto aos moradores para
alimentarem as crianças. Com o apoio dos padres e ajuda da comunidade,
promoviam eventos como festas, bazares, bingos e rifas para arrecadar
fundos para manter a creche. Aos poucos, conseguiram comprar mesas,
cadeiras, construir o muro e fazer o piso no pátio.
Durante
alguns meses reivindicaram, junto a prefeitura, um convênio para
atender as crianças, uma vez que aumentava visivelmente a demanda por
uma vaga, mesmo não tendo condições para atendê-las. O convênio foi
firmado em 1990, após um ano de luta e trabalho voluntário. Com ele, o
grupo teve seus direitos adquiridos, recebendo salário pelo serviço
prestado e tendo assegurado todos os direitos consolidados pela CLT.
Melhoraram a qualidade do atendimento e a quantidade de crianças
atendidas, mesmo o convênio sendo para sessenta crianças, sempre era
acolhido um número maior devido a carência do local.