Esse é o mote do “Núcleo de Defesa e Convivência da Mulher – Casa Sofia”, que atua com mulheres em situação de violência doméstica e sexual, em rede com diversas organizações da sociedade civil e com organismos públicos como o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar, numa região que beira a 1,5 milhão de habitantes, onde predominam famílias de baixa renda.
A Casa Sofia começou a nascer em 1999, quando, no calor das mobilizações e debates em relação à questão da violência na região, algumas mães com filhos nos Centros de Educação Infantil denunciaram que várias mulheres entre elas estavam sendo vítimas de violência nas suas próprias casas e que, na maioria das vezes, os agressores eram os próprios maridos, companheiros ou namorados. Como resposta imediata, foi formado um grupo de trabalho, constituído por mulheres voluntárias, que passou a ouvir as vítimas e a discutir formas de encaminhar o problema, um trabalho que evoluiu para a constituição formal da Casa Sofia em 2001.
Hoje a Casa Sofia conta com um local exclusivo para atendimento, 11 profissionais (advogada, pedagoga, educadoras, assistentes sociais e psicólogas) boa parte delas recrutadas na própria comunidade, trabalhando em tempo integral de segunda a sexta feira e aos sábados pela manhã; conta ainda, quase que de forma permanente, com a colaboração de pessoas voluntárias, além de uma extensa rede de parceiros.
Além de prestar o primeiro atendimento, quando começa a ser montada uma anamnese detalhada e sigilosa sobre a vida das mulheres denunciantes, a Casa toma todas as providências necessárias para que as instituições competentes ofereçam proteção e, quando for o caso, abrigo - tanto para a mulher como para os seus filhos - além de desenvolver atividades lúdicas, educativas, terapêuticas e de geração de renda; estas com o objetivo tanto de devolver-lhes a segurança e a auto-estima como de facilitar-lhes a reinserção na vida social e econômica da comunidade.